por que essa sede não se transforma em choro
e me dessedenta ou salga a carne
as feridas abertas cicatrizam no bálsamo lacrimal
por que de pés que se fizeram caminho
guardo apenas a túnica e o desespero
sem desprender as asas a voar louco
como pássaro de luz sem guia
a mirar a origem dos dias a meta o som
em silêncio prossigo e já nem sinto saber
se sou eu mesmo esse tanto de verbo e carne
se eu mesmo afirmo ou distancio de mim
esse centro de ser onde está
maduro já de rígida tristeza, sorrio
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
som longo caminhar
me sinto velho para ter medo perigo
no entanto ando solto no tempo solidão
como criança brinca de palavras nuas
nada há mais que se possa impressionar
me sinto faminto sedento de sede de fome
de tudo que há e que não se entrega
o que há dentro ou fora contudo
consome sem medo ou descoberta
não tenho tempo pra sorte
não tenho vida sem leito
meu recomeço é um santo
jeito de quem não tem jeito
meu recomeço é um parto
meu recomeço é teu texto
+++
reconheço tempo tudo
como se fizesse sentido
fosse primavera o gesto
fosse o abrigo indigesto
réu confesso que fundo
brilha o som princípio turvo
obscuro como um buraco negro
que gera em seu verso tão uno
findo o tempo do medo
tudo gesto mesmo tudo
findo como cigano pareço
um passo no escuro duro
um firme passo sem nada
um caso de embaraço claro
===
quando atravesso o templo
posso te contemplar na pedra
fresta do mundo invisível
a voz que da noite seu grito
fez se ouvir o silêncio de ser
como a pantera negra na mata
como a secura fere o coração
de espinhos e curvas encobertas
de cactos destinos vincos
de vivos entalhes de dor ilusão
saudade que guardo tonto
do caminho dos amigos infinitos
do encontro cada dia domingo
em meio à sombria paisagem
----
maduro atravesso o rio sem fundo
esse é mesmo o recomeço da gente
que se reconhece no som de tudo
esse é mesmo o passe de mágica
a delicadeza fronte de quem se vê
na abóboda celeste a face materna
no poço de água limpa se reflete
e seus olhos são esse poço
e seus medos mergulham em torno
daquela mesma conversa
de desejo e queda mito e ensejo
e diriges uma prece ao alto
como se pudesse ouvi-lo
em teu ventre útero-universo
----]]
a senda sombra sem medo
caminha dança sem jeito
acompanha o canto noturno
e encanta a lua pleniterna
margeias o verso em teu seio
margeias essa onda de mar
esse mergulho que vem sussurra
como sereia a desencantar
da viagem que clareia céu aberto
navegando por uma desilusão
da areia que encobre o chão
que pisas em meu peito
e do veio que vejo brotar
como semente nova espalha
++
materno vejo ecoar seu grito
sem mistério na praça ao luar
atravessando eras e eras e eras
e chegando até o sonho das eras
a falsa irmandade caiu
o que era mar perfeito caiu
e de sua maré cheia correu
a ferrugem de tantas bases feitas
pelos homens e suas mãos perfeitas
e suas visões perfeitas
e seus caminhos perfeitos
com planos e previsões
perfeitos para a gente levitar
e se encantar até o eco mar
=========
distante farias um gesto
anunciando imersões lusas
em nossas buscas sutis
e chamarias a esquadra inteira
e os soldados do rei sebastião
mas interno é esse evocar vosso
submerso nos ecos dos ossos
que retornam a vida
esse mito solto prisioneiro
qual terá sido a sua matéria
a chegar no jardim edênico
e mesmo onde nossos mapas
e bússolas puderam guiar
perdidos entre vidas dimensões
]]]]]]]]]
acordado recomeço louco
com o ir e vir de ondas descobertas
sou a multidão passeia entre os prédios
sou a luz que penetra em meio às árvores
refaço meus pés nas planícies
com as areias de todo o litoral
integro minha alma silvo do vento
sou com árvores e bichos entregue
cada aventureiro que pisou em minhas trilhas
cada pajé que curou minhas feridas
cada sorriso e choro infantil
sou isso e tudo que não se pode dizer
da experiência guardo o prazer do naufrágio
esse prazer que é como um se perder
]]/////////
quem há de acolher os viajantes caídos
saídos das águas profundas
com sede e fome de nomes e vitórias
as histórias que brotam do silêncio
quem em sã consciência no seu berço
pode ser fonte para outro recostar
e se dessedentar e purificar-se cristal
de cada gole um outro destino brota
de cada novo verbo um pleno rebrotar
assimila a seiva da mata
e revela o canto novo
recebido pelos quânticos
que unos se tornam ao som de tudo
em sua presença de som em pé
[[[[[[[[
agora dos pés brotam espaçonaves
suas libélulas soltas no ar metamorfoseiam
desérticos sonhos se tornam vívidos
e de cada passo esse teu mito envolto
em sãs histórias de tapetes voadores
e de mil e uma noites de versos e despedidas
tuas areias levam ao rio do mundo
teus monumentos indicam o caminho
desperto de longo descanso matéria
trajeto semente de volta às estrelas
naus preparadas partir amanhecido
rumo ao sol que nos alumia
as previsões que fiz se desfizeram
graças ao som longo caminhar
no entanto ando solto no tempo solidão
como criança brinca de palavras nuas
nada há mais que se possa impressionar
me sinto faminto sedento de sede de fome
de tudo que há e que não se entrega
o que há dentro ou fora contudo
consome sem medo ou descoberta
não tenho tempo pra sorte
não tenho vida sem leito
meu recomeço é um santo
jeito de quem não tem jeito
meu recomeço é um parto
meu recomeço é teu texto
+++
reconheço tempo tudo
como se fizesse sentido
fosse primavera o gesto
fosse o abrigo indigesto
réu confesso que fundo
brilha o som princípio turvo
obscuro como um buraco negro
que gera em seu verso tão uno
findo o tempo do medo
tudo gesto mesmo tudo
findo como cigano pareço
um passo no escuro duro
um firme passo sem nada
um caso de embaraço claro
===
quando atravesso o templo
posso te contemplar na pedra
fresta do mundo invisível
a voz que da noite seu grito
fez se ouvir o silêncio de ser
como a pantera negra na mata
como a secura fere o coração
de espinhos e curvas encobertas
de cactos destinos vincos
de vivos entalhes de dor ilusão
saudade que guardo tonto
do caminho dos amigos infinitos
do encontro cada dia domingo
em meio à sombria paisagem
----
maduro atravesso o rio sem fundo
esse é mesmo o recomeço da gente
que se reconhece no som de tudo
esse é mesmo o passe de mágica
a delicadeza fronte de quem se vê
na abóboda celeste a face materna
no poço de água limpa se reflete
e seus olhos são esse poço
e seus medos mergulham em torno
daquela mesma conversa
de desejo e queda mito e ensejo
e diriges uma prece ao alto
como se pudesse ouvi-lo
em teu ventre útero-universo
----]]
a senda sombra sem medo
caminha dança sem jeito
acompanha o canto noturno
e encanta a lua pleniterna
margeias o verso em teu seio
margeias essa onda de mar
esse mergulho que vem sussurra
como sereia a desencantar
da viagem que clareia céu aberto
navegando por uma desilusão
da areia que encobre o chão
que pisas em meu peito
e do veio que vejo brotar
como semente nova espalha
++
materno vejo ecoar seu grito
sem mistério na praça ao luar
atravessando eras e eras e eras
e chegando até o sonho das eras
a falsa irmandade caiu
o que era mar perfeito caiu
e de sua maré cheia correu
a ferrugem de tantas bases feitas
pelos homens e suas mãos perfeitas
e suas visões perfeitas
e seus caminhos perfeitos
com planos e previsões
perfeitos para a gente levitar
e se encantar até o eco mar
=========
distante farias um gesto
anunciando imersões lusas
em nossas buscas sutis
e chamarias a esquadra inteira
e os soldados do rei sebastião
mas interno é esse evocar vosso
submerso nos ecos dos ossos
que retornam a vida
esse mito solto prisioneiro
qual terá sido a sua matéria
a chegar no jardim edênico
e mesmo onde nossos mapas
e bússolas puderam guiar
perdidos entre vidas dimensões
]]]]]]]]]
acordado recomeço louco
com o ir e vir de ondas descobertas
sou a multidão passeia entre os prédios
sou a luz que penetra em meio às árvores
refaço meus pés nas planícies
com as areias de todo o litoral
integro minha alma silvo do vento
sou com árvores e bichos entregue
cada aventureiro que pisou em minhas trilhas
cada pajé que curou minhas feridas
cada sorriso e choro infantil
sou isso e tudo que não se pode dizer
da experiência guardo o prazer do naufrágio
esse prazer que é como um se perder
]]/////////
quem há de acolher os viajantes caídos
saídos das águas profundas
com sede e fome de nomes e vitórias
as histórias que brotam do silêncio
quem em sã consciência no seu berço
pode ser fonte para outro recostar
e se dessedentar e purificar-se cristal
de cada gole um outro destino brota
de cada novo verbo um pleno rebrotar
assimila a seiva da mata
e revela o canto novo
recebido pelos quânticos
que unos se tornam ao som de tudo
em sua presença de som em pé
[[[[[[[[
agora dos pés brotam espaçonaves
suas libélulas soltas no ar metamorfoseiam
desérticos sonhos se tornam vívidos
e de cada passo esse teu mito envolto
em sãs histórias de tapetes voadores
e de mil e uma noites de versos e despedidas
tuas areias levam ao rio do mundo
teus monumentos indicam o caminho
desperto de longo descanso matéria
trajeto semente de volta às estrelas
naus preparadas partir amanhecido
rumo ao sol que nos alumia
as previsões que fiz se desfizeram
graças ao som longo caminhar
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
cada um dança no seu tempo
aparência de força esconde fraqueza
aparente fraqueza esquece da grande força interna
a árvore está carregada
quando o fruto amadurece é tempo da ceifa
os ramos já tem sua verdura
o céu escurece e chove
provisão para outros tempos
no interior da terra
cada tempo tem a sua mudança
dentro é que mora a semente
após o inverno intenso
o sol vem rebrotar o chão
cada tempo tem a sua mudança
domingo, 16 de dezembro de 2012
solstício agreste
não é esse um anúncio qualquer
- pareço ler o acaso em seus passos -
nem mesmo encontro os doze apóstolos
meditando sob a lua cheia
em um lago de garças círculo de luz árvore alta
a família brinca de dança
a dança do milho sol e amigos
um só grupo de filhos da Terra
estrelas se alinham, pedras no caminho
re-conhecendo nossas (s)ondas
nós autores de armistício
- pareço ler o acaso em seus passos -
nem mesmo encontro os doze apóstolos
meditando sob a lua cheia
em um lago de garças círculo de luz árvore alta
a família brinca de dança
a dança do milho sol e amigos
um só grupo de filhos da Terra
estrelas se alinham, pedras no caminho
re-conhecendo nossas (s)ondas
nós autores de armistício
distância da terra
uma só estrela parece anunciar a noite
de quem recusou toda a festa
de quem sorrindo pousou no mato
meus pássaros sonhados
onde se fizeram puleiros?
onde os parques e a liberdade?
meu amor esparrama olhos alheios
derramando alma e vida
doação de eucaliptos aromas
meu dia muda
do silêncio breve de água
de quem recusou toda a festa
de quem sorrindo pousou no mato
meus pássaros sonhados
onde se fizeram puleiros?
onde os parques e a liberdade?
meu amor esparrama olhos alheios
derramando alma e vida
doação de eucaliptos aromas
meu dia muda
do silêncio breve de água
Madrugada agreste
silêncio de lua nova
sem luzes
cidade quieta chuva fina
alegre insônia
posso ver o passo da rua
posso alçar voo noturno
do alto da torre
no orvalho de novo
lírio figueira pasto
sorriso de erva molha
postes supervisionam
sem luzes
cidade quieta chuva fina
alegre insônia
posso ver o passo da rua
posso alçar voo noturno
do alto da torre
no orvalho de novo
lírio figueira pasto
sorriso de erva molha
postes supervisionam
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
carta lu (da primavera)
quando a gente se reconhece
a gente sabe o caminho
a caminhada
a hora da chegada
mesmo que não pareça o destino
essa rota esse sentido
a gente bem sabe
o que guarda revela
ao fim do inverno
primavera
a gente sabe o caminho
a caminhada
a hora da chegada
mesmo que não pareça o destino
essa rota esse sentido
a gente bem sabe
o que guarda revela
ao fim do inverno
primavera
uma sequência para ali-viar
para as co-madres
das mãos saltam folhas
trevos e ascensões
que de arcos íris refletem
suas cores de espaços nus
descobertas de sal ou de eras
onde a voa um pássaro-luz
sua via férrea não suporta
florestas e estrelas de amor
deixem os fios partirem
para que possam entoar
canções com a pauta no ar
***
[na outra primavera eros e psiquê se reencontraram, havia um bom silêncio no ar.
tudo estava em paz novamente reconhecidamente. nada havia de invento
era mesmo esse remar solto de correntes que não evoca martirizações
mas o merecimento de séculos e séculos de silêncio. distância. ausência
na sua presença]
carta escrita no começo da vida
o mar en-carrega de cantar
agora de mar em mar
das mãos saltam folhas
trevos e ascensões
que de arcos íris refletem
suas cores de espaços nus
descobertas de sal ou de eras
onde a voa um pássaro-luz
sua via férrea não suporta
florestas e estrelas de amor
deixem os fios partirem
para que possam entoar
canções com a pauta no ar
***
[na outra primavera eros e psiquê se reencontraram, havia um bom silêncio no ar.
tudo estava em paz novamente reconhecidamente. nada havia de invento
era mesmo esse remar solto de correntes que não evoca martirizações
mas o merecimento de séculos e séculos de silêncio. distância. ausência
na sua presença]
carta escrita no começo da vida
o mar en-carrega de cantar
agora de mar em mar
Ré-ferência
Ao inverno com meu ecoar
no mais de rio solto
ré-verente a porta aberta para o mar
sou mia couto
ré-fervente água reza amar
dentro pouco
o que vi pode ré-sucitar
o que é outro
o que é mesmo
o que é sempre eco-ar
não-novo
presença mouco
(silente)
no mais de rio solto
ré-verente a porta aberta para o mar
sou mia couto
ré-fervente água reza amar
dentro pouco
o que vi pode ré-sucitar
o que é outro
o que é mesmo
o que é sempre eco-ar
não-novo
presença mouco
(silente)
Con-fissão
a Felipe Terra
o que sabe de dentro
brotar
na sua voz de ecoador
navente
brilhante fosco vívido
esse mergulho
serei teu nome revivo
serei teu re-concílio
concilio o que há de meu mar
morn-ar ar
vou de encontro ao som
ar
som ar
sommmmm arrrr
sommmm arrrrr
sommmarrrrrrr
vou de encontro ao om
RÁ
o que sabe de dentro
brotar
na sua voz de ecoador
navente
brilhante fosco vívido
esse mergulho
serei teu nome revivo
serei teu re-concílio
concilio o que há de meu mar
morn-ar ar
vou de encontro ao som
ar
som ar
sommmmm arrrr
sommmm arrrrr
sommmarrrrrrr
vou de encontro ao om
RÁ
sétimo selo (semedo semeio)
sem medo
o que vem dentro encontra
tempo
só mesmo
na doce promessa pode solta
dançar na voz do amor
nunca
soube dizer da grandeza de encontrar
agora pequena semente se fez
de cada terra
grão de areia
de cada sono
despertar
o que é verdadeiro não se perde
o que é de verdade se dirá
não se parte sem vida
não se vence sem ver
o que dirá reconhecer
em si de novo renascer
de novo tudo ecoa
ancora o teu amor
em todas as formas rebrota
o que vem dentro encontra
tempo
só mesmo
na doce promessa pode solta
dançar na voz do amor
nunca
soube dizer da grandeza de encontrar
agora pequena semente se fez
de cada terra
grão de areia
de cada sono
despertar
o que é verdadeiro não se perde
o que é de verdade se dirá
não se parte sem vida
não se vence sem ver
o que dirá reconhecer
em si de novo renascer
de novo tudo ecoa
ancora o teu amor
em todas as formas rebrota
presença viva (sexta feira sonho)
amor
em toda parte é o que se faz ecoar
de seu coração
em nós
só mesmo acompanha um balanço
tudo em ti alcança
o que verbo é o mistério
em Ti se revela
segredo
em toda parte é o que se faz ecoar
de seu coração
em nós
só mesmo acompanha um balanço
tudo em ti alcança
o que verbo é o mistério
em Ti se revela
segredo
quinta de luz
na voz no alento
sopro instrumento
alumbramento
no leito no-vembro
o membro parceiro
passeio pele talento
rede-tele de dentro
sentir pulsar momento
tudo está junto
distância é só aparência
presença é sempre movendo
arte-vento
a roda evolve
novo pat-amar
não sem encontro
entre tudo
há o mesmo repente
***
[não foi deus quem fez as ondas
não foi deus quem fez o mar
não foi deus quem fez os peixes
deus foi quem soube nadar]
a vida é viva a gente
sopro instrumento
alumbramento
no leito no-vembro
o membro parceiro
passeio pele talento
rede-tele de dentro
sentir pulsar momento
tudo está junto
distância é só aparência
presença é sempre movendo
arte-vento
a roda evolve
novo pat-amar
não sem encontro
entre tudo
há o mesmo repente
***
[não foi deus quem fez as ondas
não foi deus quem fez o mar
não foi deus quem fez os peixes
deus foi quem soube nadar]
a vida é viva a gente
quarto de tempo
chamo o tempo o tempo o tempo
chamo na chama no verso no veio
na corredeira que alimentou o meu seio
na minha raiz
que brotou esse mar de alegria e saciou
minha sede de vento de sol de euforia
alimentou
meu cantar tão contente mas ventre
que sim gerou
o que é de semente é de fogo é de sonho
é a mostra da fruta madura o ponto
que une o trabalho do ara-dor
com amor
nada fez raiz sen-time-nto
nada fez sen-ti
sem o teu vento
sem a morte ecoando no ar
sem a força do oposto brilhar
sem a nuvem escondendo luar
e o dia vindo clarear
sem o fogo consumi-dor
que gera destrói e liberta
sem a força da primavera
não se pode re-começar
nascimento
chamo na chama no verso no veio
na corredeira que alimentou o meu seio
na minha raiz
que brotou esse mar de alegria e saciou
minha sede de vento de sol de euforia
alimentou
meu cantar tão contente mas ventre
que sim gerou
o que é de semente é de fogo é de sonho
é a mostra da fruta madura o ponto
que une o trabalho do ara-dor
com amor
nada fez raiz sen-time-nto
nada fez sen-ti
sem o teu vento
sem a morte ecoando no ar
sem a força do oposto brilhar
sem a nuvem escondendo luar
e o dia vindo clarear
sem o fogo consumi-dor
que gera destrói e liberta
sem a força da primavera
não se pode re-começar
nascimento
terceira passagem (chão-ar)
rodopios de flores e sons
pétalas são bailarinas
que almas dançam no espaço
na cósmica presença cântico-primo
o al-tar
alta-mente
chão chão chão
eleva de si para o são
o que é o que não
chão chão chão
eleva de sim coração
para o ente mão efusão
espargir seu perfume oração
pelo temp(l)o do-ar
amor-tecer
de sua ligadura mover
re-mover o que im-pede
para que sede se faça ser
o que seria do altar saciar
sem raiz o degrau para o chão
pétalas são bailarinas
que almas dançam no espaço
na cósmica presença cântico-primo
o al-tar
alta-mente
chão chão chão
eleva de si para o são
o que é o que não
chão chão chão
eleva de sim coração
para o ente mão efusão
espargir seu perfume oração
pelo temp(l)o do-ar
amor-tecer
de sua ligadura mover
re-mover o que im-pede
para que sede se faça ser
o que seria do altar saciar
sem raiz o degrau para o chão
segunda flora
da sombra escura da terra brota a sementinha
ninho passarinho brota do ecoar
som
silêncio solto gritou
ahhhhhh! no silêncio do amor
shhhiiiiuu, a vida é flor
raridade que abunda em toda parte
milagre que jorra naturalmente
cuidadosamente
passos leves soltos
a dança sobre o chão
vento sopro vida
espalhando a canção
o som
a vida é santo brotar
da escura e funda da terra
quentura fria do mundo
sementes de flor pelo ar
cada grão do verde que há
na secura do hoje
a umidade que traz o tempo fértil
cada tempo em seu sentimento
cada momento no seu rebentar
harmonia em sua profusão
ordem expressa do ar-ranjar
cada órbita expressão
ecoando em volta
ar-rudiar
ninho passarinho brota do ecoar
som
silêncio solto gritou
ahhhhhh! no silêncio do amor
shhhiiiiuu, a vida é flor
raridade que abunda em toda parte
milagre que jorra naturalmente
cuidadosamente
passos leves soltos
a dança sobre o chão
vento sopro vida
espalhando a canção
o som
a vida é santo brotar
da escura e funda da terra
quentura fria do mundo
sementes de flor pelo ar
cada grão do verde que há
na secura do hoje
a umidade que traz o tempo fértil
cada tempo em seu sentimento
cada momento no seu rebentar
harmonia em sua profusão
ordem expressa do ar-ranjar
cada órbita expressão
ecoando em volta
ar-rudiar
primeira son-desafio
somos ou não somos um?
a sua é ou não é a minha dor?
quando te prendem é mim mesmo que prendem?
estou em ti como estás em mim?
estamos assim uns nos outros
ou nos escondemos de vermos quem somos verdadeiramente?
no ver de verdade eu me perdi ofuscado
não tenho olhos para ver
cegueira desespero
onde se encontra meu amor?
onde se encontra meu verdadeiro amor em mim? em ti?
até onde estou disposto a ir por ti?
até onde te confessarei? em mim?
se é verdade que sentimos um no outro
então sabemos ser um no outro outro um
o mesmo em tudo
como arte manifesta que expressa amor
na harmonia da vida
que vida pare tudo isso
renascimentos em nós
como desafios vivos e redivivos de nós
como desatarmos de nós mesmos o que somos em nós
para sermos ainda mais além o que ainda bem somos
o ser de ser
em tudo de ser
sem amarras sem solturas
sem fragilidades e sem forças
como a simplicidade de ser
como o que é semente morre
para a árvore nascer germinar
como o broto cresce gente
e o tronco raiz se espalha no ar em busca da luz
dos frutos da luz
a sua é ou não é a minha dor?
quando te prendem é mim mesmo que prendem?
estou em ti como estás em mim?
estamos assim uns nos outros
ou nos escondemos de vermos quem somos verdadeiramente?
no ver de verdade eu me perdi ofuscado
não tenho olhos para ver
cegueira desespero
onde se encontra meu amor?
onde se encontra meu verdadeiro amor em mim? em ti?
até onde estou disposto a ir por ti?
até onde te confessarei? em mim?
se é verdade que sentimos um no outro
então sabemos ser um no outro outro um
o mesmo em tudo
como arte manifesta que expressa amor
na harmonia da vida
que vida pare tudo isso
renascimentos em nós
como desafios vivos e redivivos de nós
como desatarmos de nós mesmos o que somos em nós
para sermos ainda mais além o que ainda bem somos
o ser de ser
em tudo de ser
sem amarras sem solturas
sem fragilidades e sem forças
como a simplicidade de ser
como o que é semente morre
para a árvore nascer germinar
como o broto cresce gente
e o tronco raiz se espalha no ar em busca da luz
dos frutos da luz
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
claridade
sem cor ou ação
a suavidade da tarde noite
silêncio e renascimento
em cada canção
tempo, vento
passagem chão
o que molhou a paisagem
esse rio esse vão
e a gente descendo na arribação
sem cor ou nome
a gente é quem sabe
o que o amor consome
clara idade
a suavidade da tarde noite
silêncio e renascimento
em cada canção
tempo, vento
passagem chão
o que molhou a paisagem
esse rio esse vão
e a gente descendo na arribação
sem cor ou nome
a gente é quem sabe
o que o amor consome
clara idade
jackie
a luz não se apaga ao seu redor
mesmo à noite ou em tempos sombrios
mesmo se te recobres de dor ou solidão
a distância que inspiras guarda a morte
mas que liberta do centro do ser a eternidade
transmutação de elementos difusos
união e harmonia em teus dias vividos
como a voz que ouvistes de outro mundo
do lugar oco de tudo para além de nossos medos
tuas mãos são capazes de ver o invisível
mas o teu toque afasta o olhar da verdade dos famintos
só há um gesto que promove o amor
e a ti foi pedida dura prova para encontrar o ser além da dor
mesmo à noite ou em tempos sombrios
mesmo se te recobres de dor ou solidão
a distância que inspiras guarda a morte
mas que liberta do centro do ser a eternidade
transmutação de elementos difusos
união e harmonia em teus dias vividos
como a voz que ouvistes de outro mundo
do lugar oco de tudo para além de nossos medos
tuas mãos são capazes de ver o invisível
mas o teu toque afasta o olhar da verdade dos famintos
só há um gesto que promove o amor
e a ti foi pedida dura prova para encontrar o ser além da dor
Luiz
Da solidão agreste e calma
catando lixo entre os monturos
na companhia de terezinha
que ouve o canto lamento
como um fúnebre encanto
como um despertar lento
me perco em sua voz
ébria sobriedade
-homens de bem,
ou mais ou mais,
ouçam a lágrima luz!
catando lixo entre os monturos
na companhia de terezinha
que ouve o canto lamento
como um fúnebre encanto
como um despertar lento
me perco em sua voz
ébria sobriedade
-homens de bem,
ou mais ou mais,
ouçam a lágrima luz!
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